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NOTÍCIAS
Líder eleito em Honduras diz que crise é história
Porfirio Lobo afirma que Manuel Zelaya é parte do passado e se diz aberto a conversar com o Brasil
Só o futuro dirá se a crise hondurenha ficou no passado. Mas o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, é um homem que acredita no futuro. Está certo de que a crise pela qual seu país passa há mais de cinco meses já é página virada dos livros de história – e o presidente deposto, Manuel Zelaya, também.
Em breve entrevista por telefone a Zero Hora, por volta das 20h de ontem (16h em Tegucigalpa), depois de uma entre diversas coletivas para a imprensa local e antes de um entre tantos encontros com sua equipe, Lobo ponderou: para a crise ser página virada, ele terá de trabalhar. E muito.
– O importante, para nós, é que façamos o país viver em paz novamente, para superarmos essa crise. A crise ficou para trás com a nossa vitória, estou certo disso. Mas agora precisamos trabalhar bastante. A eleição também já passou.
Talvez o começo desse longo trabalho seja uma espinhosa negociação, determinante para o reconhecimento internacional do seu governo. Lobo contou que, ainda hoje, na véspera da reunião que o Congresso fará amanhã para definir o destino de Zelaya – derrubado por um golpe de Estado em 28 de junho e abrigado na embaixada brasileira desde 21 de setembro –, terá um encontro com líderes do seu partido para definir a estratégia a ser tomada:
– Teremos um encontro com o partido antes de o Congresso se reunir. Não posso dizer nada antes disso.
O que pode ocorrer: o Partido Nacional, de Lobo, daria os votos necessários para Zelaya voltar ao poder. O presidente deposto governaria à frente de uma coalizão nacional, até 27 de janeiro, o dia da posse do próprio Lobo. Como compensação, Zelaya reconheceria o governo eleito.
Pela lógica, esse quadro é bastante plausível. Não é exatamente a lógica, porém, que tem predominado em Honduras. Ontem mesmo, antes da entrevista para ZH, Zelaya já dissera às agências de notícias que não aceitará o governo eleito. E Lobo, que Zelaya “já é história”.
– Não aceitarei a restituição para legitimar o golpe, nem para acatar um processo nulo – disse o presidente deposto às agências, reiterando suas denúncias de que a abstenção superou os 60%, contra os 61,3% de participação estimados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Lobo faz vista grossa para esse discurso. Mesmo com toda a virulência dos adversários, dizia ontem que fará “um governo de união e diálogo”. Com 61% das urnas da eleição de domingo apuradas, ele tinha 55,9% dos votos. Seu principal adversário, Elvin Santos (Partido Liberal), já havia reconhecido a derrota.
Futuro presidente espera o reconhecimento internacional
Em discurso logo após os números da apuração indicarem que sua vitória era definitiva, ele se emocionou:
– Sem temor de ameaças, sem deixar-se levar por presságios, Honduras decidiu seu próprio futuro, para terminar a crise que tanto nos afetou e prejudicou os mais necessitados.
E quando fala em decidir seu futuro, estão implícitas as relações com outros países. Enquanto os Estados Unidos – o principal parceiro comercial de Honduras – reconheceram as eleições, o Brasil dava como “imutável” a rejeição ao pleito, “para não legitimar o golpe”.
Ao abordar o assunto, Lobo ficou no limite da descortesia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mediu as palavras. E desfraldou a bandeira branca:
– Temos as portas abertas. É importante uma boa relação com o Brasil, um país tradicionalmente amigo. Nosso desafio é muito grande. Mas o povo votou em nós, e espero que os outros países reconheçam nosso direito à autodeterminação. Acredito que tudo estará normalizado, que teremos relações de amizade como sempre tivemos.
GIRO POLICIAL
Polícia prende suspeito de assassinato em Herval D'Oeste
Homem está detido temporariamente no Presídio Regional de Joaçaba
A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira um suspeito de um homicídio com requintes de crueldade em Herval D’Oeste, no Meio-Oeste de Santa Catarina. O suspeito tem 40 anos e é morador da cidade. Ele foi detido em regime temporário.
A polícia tomou 13 depoimentos formais, mas afirma ter conversado com mais de 25 pessoas que ajudaram a aumentar a suspeita. A hipótese é que mais de uma pessoa tenha participado do homicídio de Antonio Marcos dos Santos, 37 anos.
O corpo do auxiliar de pedreiro foi encontrado por pescadores boiando no Rio do Peixe no dia 21. O cadáver apresentava ferimentos de faca e outras marcas. O suspeito está detido no Presídio Regional de Joaçaba. |